quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Literatura Comparada

A Literatura Comparada  nunca teve parâmetros rigorosamente fixados. Assim sendo, se a princípio lhe cabia investigar, no início do século XIX, a trajetória de um determinado autor ou de uma certa obra no exterior, ou pesquisar as marcas deixadas por uma produção literária em outra do mesmo país, ou as dívidas de uma criação em relação a uma anterior ou até mesmo contemporânea, hoje ela é ironicamente chamada de Estudos Culturais ou Comparatismo Cultural. Isso porque ela tem se ocupado mais, hoje, da comparação entre literatura e artes, ou entre literatura e disciplinas da área de humanas.

Sua tarefa seria, porém, analisar comparativamente duas ou mais literaturas. No entanto, este procedimento nunca foi uniforme, pois sempre se recorreu a métodos diferenciados, uma vez que os estudiosos deste campo abordavam objetos variados, trabalhando assim com um amplo espectro de ação, o que destaca o caráter de complexidade que a Literatura Comparada detém.
Há também uma carência de consenso entre as publicações sobre o assunto, principalmente quanto ás metodologias a serem adotadas. Tudo se torna ainda mais difícil quando se leva em conta que, muitas vezes, é necessário recorrer-se a uma metodologia mista, dependendo do que será analisado.
O importante é perceber, cada vez com maior clareza, que esta disciplina não deve ser entendida tão somente como um ato de comparação. Mesmo porque comparar algo é uma iniciativa de variadas áreas do conhecimento, um costume próprio do ser humano. A diferença na Literatura Comparada é que ela se torna o método por excelência, transformando-se no dado analítico principal. Este instrumento ajuda o pesquisador a investigar com mais propriedade a esfera com a qual ele se preocupa.
Atualmente, ao se observar mais intimamente a Literatura Comparada, fica claro que ela vem realmente sofrendo uma mudança profunda, talvez uma cisão entre dois paradigmas distintos no interior das pesquisas comparativistas. Se, por um lado, segue-se com a tradicional prática desta disciplina, por outro a literatura passa a se relacionar com a cultura e outros campos, tais como sociologia, psicanálise, filosofia e antropologia, analisada em pontos que se referem ao significado, à autoria, aos aspectos ideológicos, ao gênero, à identidade cultural e à diferença.
É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. A França é o ponto de partida para os estudos comparativos, aí se fixando com maior rapidez, neste país assumindo a expressão com a qual se tornou conhecida em todo o mundo, embora às vezes competindo com o termo ‘literatura geral’ ou ‘literatura mundial’ – Weltliteratur, firmado por Goethe, em 1827. Hoje, a Literatura Comparada luta para estabelecer sua identidade e não se perder na amplitude de investigações em que vem se envolvendo.

Fonte:  http://www.infoescola.com/literatura/literatura-comparada/

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Federico García Lorca

"Deixaria neste livro/ toda a minha alma./ Este livro que viu/ as paisagens comigo/ e viveu horas santas./ Que pena dos livros/ que nos enchem as mãos/ de rosas e de estrelas/ e lentamente passam! (...)" Este belo poema de Garcia Lorca chama-se "Prólogo" e foi traduzido por William Agel de Melo.



O poeta Federico García Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha, e levou para sua poesia muito da paisagem e dos costumes de sua terra natal.

Estudou direito e letras na Universidade de Granada. Seu primeiro livro foi publicado em 1918, com o título "Impressões e Paisagens". No ano seguinte, Garcia Lorca mudou-se para Madri, onde viveu até 1928. Em Madri tornou-se amigo de vários artistas, como Luis Bu?uel, Salvador Dali e Pedro Salinas. Em 1920 estreou no teatro, com a peça "O Malefício da Mariposa", e em 1921 publicou "Livro de Poemas".

García Lorca viveu dois anos em Nova York. De volta à Espanha, em 1931, criou a companhia teatral "La Barraca", que passou a se apresentar por todo país encenando autores clássicos espanhóis, como Lope de Vega e Cervantes. Tornou-se também um grande dramaturgo, e criou peças que ficaram conhecidas no mundo inteiro. Entre suas obras mais encenadas

Pensamentos de García Lorca.

Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas.


"a noite esporeia
suas negras ancas
cravando-se estrelas"





E Eu te Beijava

E eu te beijava
sem me dar conta
de que não te dizia:
Oh lábios de cereja!

Que grande romântica
eras!
Bebias vinagre às escondidas
de tua avó.
Toda te enfeitaste como um
arbusto de primavera.
E eu estava enamorado
de outra. Vê que pena?
De outra que escrevia
um nome sobre a areia.
Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos'
Tradução de Oscar Mendes

Garcia Lorca ( Vida)

Federico García Lorca (1898-1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol. Considerado um dos grandes nomes da literatura espanhola. Levou para sua poesia a paisagem e os costumes da terra natal.
Frederico Garcia Lorca (1898-1936) nasceu nos arredores de Granada, Espanha, no dia 15 de junho. Por imposição da família, estudou Direito na Universidade de Granada, mas sua vocação era a poesia. Também revelou interesse pela música, pintura e teatro.
Em 1918, publicou seu primeiro livro, "Impressões e Paisagens". Em 1919 mudou-se para Madri onde viveu até 1928. Foi amigo de Salvador Dali e Pedro Salinas. Em 1920, estreou no teatro com a peça "O Sortilégio da Mariposa". Federico García Lorca é considerado um dos mais importantes escritores modernos de língua espanhola. Cantou através de versos com extrema sensibilidade a alma popular da Andaluzia.
Através de sua poesia, identificou-se com os mouros, judeus, negros e ciganos, alvos de perseguições ao longo da história de sua região. Ele próprio sentiu na pele a discriminação com que os espanhóis da época trataram sua condição de homossexual. Jamais deixou de manifestar aversão aos fascistas e aos militares franquistas.